Ricardo Duarte / Internacional Qualquer torcedor que tem acompanhado os jogos do Inter pode resumir o que diz o texto a seguir. As diferenças entre a era Odair e o início de Coudet são visíveis até aos mais críticos, embora o empate contra La U. tenha trazido comentários errôneos a respeito da forma que o time tem sido conduzido. Assim, baseado em 3 comparações cruciais, segue uma análise da evolução colorada, sem pretensão alguma de avaliar taticamente, mas com a ideia de apontar pequenas correções feitas em 2020 que trazem uma maior esperança para a temporada.
O GRUPO
Os anos de 2018 e 2019 foram de reconstrução. Não que o ano atual não seja, pela mudança no comando, mas foram pela virada de chave após a volta à elite do futebol nacional. Em 2018 os remanescentes do rebaixamento, junto de alguns contratados de peso, fizeram milagres ao levar aquele grupo ao G4 e retornar à Libertadores. No ano passado, com a permanência da estrutura e a vinda de outros atletas, Odair levou longe a esperança da torcida, avançando até as quartas da LA e indo à final da Copa do Brasil. Mas eram elencos limitados. As peças de reposição não tinham a capacidade de mudar jogos (o famoso 6 por meia dúzia, em alguns casos 6 por zero), eram contratações sem expressão, mas acima de tudo, sem o ímpeto de vencer. Não deixando de citar a pouca utilização da base.
A temporada atual enche os olhos. Os elementos principais estão focados, determinados a melhorar a escrita, enquanto aqueles que foram contratados agora, se ainda não são titulares, demonstram que lutam por ela. Menos negócios, porém muito mais produtivos. Sem gastar muito a direção trouxe jogadores polivalentes, essenciais à dinâmica do treinador, ainda contando com a utilização das categoriais inferiores. Sem muito esforço os jovens têm dado conta do recado.
A FORMAÇÃO
Odair não tinha mistério. Por mais que houvesse a tentativa de mudar, ela não acontecia de fato. Sempre utilizando o tripé de abertura, dois jogadores de lado e um atacante centralizado, o esquema era previsível aos adversários. Embora em muitos casos tenha dado certo, não havia surpresa, jogadas de ultrapassagem ou alterações para desnortear o inimigo. Além disso, a péssima criatividade na construção das jogadas e a lentidão deixavam as arquibancadas enfurecidas.
Chacho trouxe a intensidade, até mesmo pela formatação que dispõe os atletas em campo. Já se sabia do apreço do argentino pelo 4-1-3-2, mas ela só aparece na resposta defensiva. Hoje é possível enxergar um Inter ofensivo de verdade, como há muito não se via, marcando alto e pressionando a defesa adversária. Com um volante centralizado em meio aos zagueiros, o que dá liberdade para os laterais, o time consegue trabalhar a bola em linhas mais altas e se resguarda diante de um contra-ataque. Mesmo com a linha de meio ainda formada por 3 volantes, o sistema funciona.
Se fosse Odair fazendo o que faz Coudet, seria chamado de retranqueiro. A diferença está na experiência e inteligência do argentino.
A EXPERIÊNCIA
Nem todo trabalho tem sucesso, por mais que o seu material seja de qualidade. O futebol traz essa realidade, pois sempre pode ter alguém mais capacitado, mesmo que só naquele momento. Odair foi testado no colorado e, mesmo sem ganhar nenhum título, teve algumas boas marcas, levando a equipe de volta aos grandes jogos. Mas sucumbiu após uma sequência de resultados ruins que, como foram fruto das suas escolhas também, levaram à sua saída. E essas escolhas erradas acontecem muito com técnicos inexperientes. Faltava ousadia ao Papito. O que não se vê em Coudet. Com maior experiência e um título argentino expressivo, Chacho tem mudado o alvirrubro positivamente.
A temporada está apenas começando, mas as estatísticas são favoráveis àqueles que gostam de olhar para o futuro. Ainda tem muita bola para rolar e muito trabalho a fazer, mas o começo está sendo promissor. Que seja um ano excelente para o Campeão de Tudo.
por Thulyo Maciel - Contato: @thulyomaciel
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