Ricardo Duarte / Internacional Eduardo Coudet teve nesta terça-feira (4) sua primeira estreia a nível realmente competitivo no comando colorado. Após um empate sem gols, o placar deixa a chave completamente aberta para o confronto no dia 11/2, no Beira-Rio. De um lado, os chilenos acreditam que encararam o Inter de igual para igual, tendo reais chances de marcar como visitante, no outro, os alvirrubros confiam em sua capacidade de vencê-los diante de sua torcida. Ainda assim, tentaremos analisar o novo Internacional que começa a surgir, oferecendo aspectos estatísticos, opinativo e de projeção. Vamos lá?
RESULTADO - Não foi ruim, mas longe de ser bom, ainda mais pelas circunstâncias
O 0 a 0 fora de casa é o menos pior dos resultados possíveis que não a derrota. Ainda que faça o 1 a 0, os colorados precisarão manter o foco no segundo e no terceiro, pois qualquer desatenção (por exemplo o 0x1) custará uma enorme pressão psicológica, nos obrigando a fazer dois.
O placar acaba sendo negativo dado o contexto favorável que se viu em Santiago: um estádio longe de sua capacidade máxima e diante de 10 jogadores por boa parte da segunda etapa. Todavia, o Internacional é o time mais técnico e forte do confronto e tem totais condições de superar Los Azules, ainda mais após a expulsão de Montillo, grande estrela do elenco.
POSITIVO
Mesmo atuando fora de casa conseguimos impor um jogo com linhas altas, pressionando a saída de bola e quase sempre impondo um domínio, tendo Marcelo Lomba pouco exigido no geral. De certa forma, controlamos 70% do confronto, o que é surpreendente para um trabalho com menos de 26 dias, quando 5/4 das atividades são focadas na parte física e médica dos atletas.
Assim, é surpreendente o quanto já se percebe a mão de Coudet em uma equipe que manteve 8 peças de 2019. Exigir mais nesse momento da temporada além - de exagerado - é entrar no imaginário do torcedor, como se o futebol profissional fosse um videogame.
O atual técnico do Tottenham, José Mourinho, recentemente avaliou seu rival de Premier League, o Liverpool, como protótipo das fases de uma construção coletiva, dizendo o seguinte:
"Ontem eu estava assistindo a partida do Liverpool e acho que estava assistindo a melhor equipe do mundo neste momento (...)E então eu pesquisei no Google, apenas para confirmar - Jurgen chegou em outubro de 2015. 2016, 17, 18, 19 e agora 20 - acho que oito janelas de transferência, muitos jogadores saindo, muitos jogadores chegando e, mais importante ainda, que tempo para ele colocar sua filosofia, colocar seus métodos de treinamento, colocar suas impressões digitais.
"Belos resultados como consequência. E um trabalho fantástico, passo a passo, fase a fase. Acho que na primeira temporada, eles terminaram algo como 6 ou 8, algo assim. E quatro anos depois eles não são apenas os campeões mundiais, Eu acho que eles são o melhor time do mundo".
É esse o modelo que o SCI precisa: de longo prazo, entendendo os processos e ajustando as etapas. Se em tão pouco tempo o novo comandante da casamata vermelha já impõe conceitos de seu estilo – com treinos táticos insuficientes, sem repetição e com o elenco abaixo fisicamente – é totalmente prudente afirmar que com tudo isso repetido e reforçado a longo prazo, será substancialmente melhor.
NEGATIVO
Por momentos, o Inter deixou transparecer que dominava o jogo e a posse de bola nos enganava acreditando que o time iria envolver a defesa adversária e deslanchar durante o confronto.
O que de fato aconteceu é que obtivemos ainda uma posse de bola defensiva, que na maioria das vezes não terminava em uma boa jogada ofensiva, e sim em cruzamento de qualquer jeito para a área, ou seja, um domínio sem real efetivação. Dos 554 passes trocados, 178 foram apenas entre Moledo, Cuesta e Musto. Esses números traduzem um problema (ressaltado por Coudet na própria coletiva) de lentidão na troca de passes ofensiva e uma falta de infiltração dos demais setores do campo na área.
Os laterais acabaram ficando como única opção e o jogo se tornou óbvio depois de alguns minutos, com pouca mobilidade, aproximação e chance reais de perigo.
Ademais, as escolha atuais de Chacho ainda são incipientes. Antes de sairmos atacando suas escalações, precisamos analisar o contexto em que o elenco vermelho encontra-se, com início de preparação física e disparidade brutal entre os jogadores. Marcos Guilherme, por exemplo, chegou do famigerado oriente médio onde a falta de competitividade é gritante, o que exige um certo tempo até sua total adequação. Por outro lado, Boschilia acabou de chegar, se nem realizar dois treinos com seus companheiros, além dos casos de Guerrero, Patrick e Moledo, que por possuírem característica físicas específicas, atrasam seu início em alto nível (atletas pesados, com grandes massas e de força). Sem as peças completamente disponíveis é natural compreender a opção por uma formação mais resguardada, visando uma visão de jogo mais pragmática do resultado em si. Assim, Coudet naturalmente deverá ir soltando sua equipe a nível de escalação, enquanto obtém os resultados favoráveis e aumenta a confiança e equilibra a parte físico/técnica.
CONCLUSÃO
Resumindo, o Inter fez uma boa estreia com problemas absolutamente naturais pelo pouquíssimo tempo de trabalho. Mesmo assim, Chacho tem conseguido passar conceitos chaves de seu jogo, no que é o primeiro passo para subsequente ajustes individuais e mais detalhados.
Recentemente ouvimos após o empate em Santiago de “que a defesa mais uma vez errou e, se não fosse Marcelo Lomba, poderia ter sido pior”. Tal análise se mostra bastante insuficiente para apontar um problema crônico da equipe. No geral, La U esteve controlada pelos colorados, ao somar meros 5 chutes em 90 minutos. Quem acompanha as estatísticas sabe que esses são lances que ocorrerão inevitavelmente, e não significam, ainda, um problema estrutural da equipe. A título de exemplo, o Flamengo de Jorge Jesus, sofreu 9 finalizações do Inter no Maracanã (Libertadores 2019), sendo 3 delas claríssimas. Isso, falando de uma equipe que se encontrava em Agosto e finalizou também somente 9 vezes no arco de Lomba.
Um conceito de linha alta impõe outras dificuldades que o estilo de jogo, por exemplo, de Odair, não sofriam (que reforçavam outras ideias, como contra-ataque e corredor para velocidade dos alas ofensivos, além de uma marcação posicional sobre a linha de defesa). Todavia, não existe maneira infalível de se vencer no futebol, e seja o estilo desejado, você será atacado e terá que passar por momentos chaves com defesas do goleiro, ou zagueiro salvando.
Estatisticamente esses eventos ocorrem em TODOS os confrontos e apenas em níveis mais altos representam um problema real (o que não ocorreu com Coudet com exceção do duelo em Ijuí). Portanto, a estreia vermelha foi boa e o resultado poderia ter sido melhor, mas o futuro a longo prazo é positivo dada a alta absorção dos conceitos do novo treinador em tão pouco tempo.
POR EDITORIA SCINTERNACIONAL.NET
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