Texto por Colaborador: A. Rother 25/09/2026 - 18:29

Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já negociam com o governo federal um possível “socorro” financeiro diante da eventual perda de receitas com patrocínios de casas de apostas esportivas. As conversas, segundo o Globo Esporte, acontecem desde agosto e têm Corinthians e Internacional à frente das tratativas.

A possibilidade em discussão é a criação de uma linha de crédito com juros reduzidos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). O recurso poderia ser utilizado pelos clubes para o pagamento de dívidas diante de uma mudança considerada “brusca” nas receitas.

A articulação ganhou força diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proibir as atividades das chamadas “bets” no Brasil. Segundo fontes próximas às discussões, o Palácio do Planalto avalia ouvir as demandas dos clubes e oferecer alternativas para minimizar os impactos financeiros provocados pela eventual medida.

Diversos clubes enviaram uma carta a Lula na qual afirmam que o fim das bets também poderá representar “o fim do futebol brasileiro”. Para tentar mediar o impasse entre o governo e as equipes, a Comissão Brasileira de Futebol participa das conversas como articuladora em busca de uma compensação econômica.

Ainda não existe uma definição sobre o formato do possível auxílio. A pauta, segundo as informações, só deverá ser discutida após as eleições, embora Lula tenha declarado nesta quarta-feira (23) que pretende adotar as primeiras medidas contra as bets antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

O governo federal já afirmou que prepara uma Medida Provisória que pretende proibir, ao menos parcialmente, as atividades relacionadas às apostas esportivas no país. Auxiliares de Lula projetam, sob condição de anonimato, que o presidente poderá optar pela proibição total das “bets” e também dos cassinos online, como o jogo do tigrinho.

Na quarta-feira (24), Lula reuniu ministros do Palácio do Planalto e da área econômica para discutir o tema. A tendência, segundo assessores palacianos, é que o presidente envie ao Congresso Nacional uma MP com a proibição total dos dois segmentos e deixe aos parlamentares a decisão sobre eventual redução do texto. O Executivo também avalia a força da chamada “bancada das bets” no Legislativo.

Além dos impactos jurídicos e arrecadatórios, o governo analisa os efeitos eleitorais da medida e acompanha de perto a posição dos clubes. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada deve ser considerada na decisão: 75% dos entrevistados disseram que as bets deveriam ser proibidas.

A expectativa no entorno do presidente é de que a decisão definitiva seja anunciada apenas na próxima semana, em razão da agenda de Lula. O petista intensifica viagens de campanha pelo Brasil a partir desta quarta-feira e retorna a Brasília somente no sábado (26).

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