Texto por Colaborador: A. Rother 27/09/2026 - 02:00

Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o governo federal um possível plano de socorro financeiro após a proibição das casas de apostas no Brasil. A proposta pode envolver uma linha de crédito de até R$ 20 bilhões para ajudar as equipes no pagamento de dívidas.

As conversas entre clubes e representantes do governo já aconteciam havia meses por meio do Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional, mas foram aceleradas após a decisão da União de proibir as bets no país.

A ideia em discussão é a edição de uma Medida Provisória para criar uma linha de crédito federal destinada tanto a clubes associativos quanto a SAFs. Os recursos seriam disponibilizados por bancos habilitados, com juros vinculados ao BNDES.

O modelo não prevê perdão das dívidas. Na prática, os clubes teriam acesso a empréstimos para reorganizar suas finanças, com possibilidade de pagamento dos valores em até 20 anos.

A proposta também estabelece uma destinação específica para o dinheiro. Os recursos poderiam ser utilizados para quitar dívidas trabalhistas e relacionadas a direitos de imagem, débitos com Receita Federal, INSS e FGTS, empréstimos bancários e dívidas cíveis. Também haveria possibilidade de investimento em estruturas das categorias de base.

A discussão ganhou ainda mais importância diante da dependência dos clubes em relação às casas de apostas. Em 2025, as bets pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value.

A possibilidade de auxílio financeiro já vinha sendo debatida entre as equipes e o governo, com Corinthians e Internacional à frente de parte das tratativas. A Comissão Brasileira de Futebol também participa das conversas como articuladora entre os clubes e o poder público.

A preocupação aumentou após a publicação da Medida Provisória que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa. A decisão afeta diretamente clubes que mantinham contratos milionários com empresas do setor e terão de buscar novas fontes de receita.

Ainda não há definição sobre a aprovação do programa, o formato definitivo da linha de crédito ou quando uma eventual MP será publicada. A proposta, portanto, segue em fase de discussão entre o governo e os clubes.

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