Ricardo Duarte/InternacionalKeiller falou neste fim de semana de maneira exclusiva ao portal do GE. Após cinco anos, o arqueiro deixou de ser promessa para assumir a titularidade no fim de temporada e trabalha para ajudar o time a confirmar vaga na fase de grupos da Libertadores. Confira a entrevista postada na íntegra:
Você se tornou o novo goleiro titular do Inter. Como tem sido este momento?
Estou muito feliz em poder ter esta sequência. São 13 anos de Inter e nunca tive uma sequência assim. Infelizmente, em 2017 tive a oportunidade e me machuquei. Passei muito tempo trabalhando, com muita paciência.
Como foi a conversa com o Mano sobre a oportunidade?
Foi muito natural. Infelizmente, houve a lesão do Dani (Daniel). Como eu era o reserva imediato, foi natural viver aquele momento. Foi jogo a jogo. O Dani era avaliado diariamente. Fiquei feliz com a sequência. Com minhas atuações, mostrando meu valor, o Mano deu a oportunidade. A conversa antes do jogo foi mais com o Léo (Leonardo Martins, preparador de goleiros) focando no jogo, no adversário. Disse que eu estava 100% para poder jogar.
Você lembrou de toda a trajetória até este momento?
Aprendi muito a esperar. Na minha posição, é muito difícil você ter a oportunidade. Raramente quando você está jogando dá brecha e sai por qualquer coisa. Eu sabia que precisava trabalhar muito tranquilo. Não pensei em nada a não ser evoluir no jogo. Isso foi o essencial.
O que você aprendeu com goleiros como Dida e Alisson, que foram seus companheiros no Inter?
Foi muito bom trabalhar com o Dida, um cara reconhecido, tranquilo. Fora de campo nem parece que ganhou tudo. Sempre foi muito pé no chão, cabeça tranquila. Me inspirei nisso. O Alisson também é uma referência técnica. Vivi com ele aqui dentro. Foi uma inspiração desde a base.
O que você acha que é a sua principal virtude como goleiro?
Paciência e trabalho. Nunca deixei de trabalhar, nem mudei meu jeito. Com ou sem oportunidade, sempre busquei estar preparado. A oportunidade não avisa e precisava estar pronto para pegá-la. O posicionamento talvez... Creio que uma virtude seja a saída do gol. Aprendi muito na base. O Léo foi um cara que ajudou muito quando estava no período de transição lá embaixo. Atitude, leitura e estudar também. O pré-jogo para estudar o movimento do adversário antes mesmo dele poder definir. É um combo que ajuda.
Há cinco anos, você teve uma rara chance na final do Gauchão de 2017, mas sofreu uma lesão séria. Como viveu aquele momento?
Foi muito difícil para nós aqui, né? Um momento que os três goleiros machucam, algo raro de ocorrer. Eu era muito novo. Nunca tinha vivido uma experiência de jogar no profissional. Entrei na semifinal, mas lesionei. Foi difícil após a lesão, mas retornei com paciência. Tive a decisão de poder sair e viver um ambiente fora. Foi muito importante. Estou preparado para viver este momento.
Você acha que a lesão atrapalhou a sua trajetória no Inter?
Para o goleiro, uma lesão no braço equivale a uma de joelho de jogador. Graças a Deus, nunca tive problema na minha volta ali. Busquei recuperar no campo, claro que ficou mais difícil. Fui lá para trás. O Dani teve a oportunidade de mostrar seu valor. Fui buscar na Chapecoense, um momento muito válido para mim.
Por isso você decidiu ir para a Chapecoense?
O Inter tinha bons goleiros. Marcelo (Lomba), Danilo (Fernandes) o próprio Dani tinham mostrado o valor. Vi que o espaço estava limitado, o tempo passava e eu não tinha minha oportunidade. Entendi que não teria como e fui buscar na Chapecoense. Viver uma nova cultura e ambiente. Foi muito importante quebrar o ciclo de tanto tempo aqui. Sou de Porto Alegre e nunca tinha saído. Fiquei contente.
Lá você teve mais chances e se destacou...
Saí para mostrar meu valor. Sabia que estava preparado para viver aquele momento, quando tive a oportunidade de jogar na Série A não pensei duas vezes. Acabei aceitando e fui vivendo o momento. Tive a oportunidade de voltar e voltei. Esperei meu momento aqui no clube para poder estar jogando.
Durante esse período fora, você mantinha o sonho de ser titular do Inter?
Como um colorado desde o berço... São 13 anos de clube. Nunca deixei de almejar ser o camisa 1 do Inter. Foi muito importante para mim essa saída. Foi um crescimento para hoje estar jogando.
E como foi ser ovacionado pela torcida contra o Goiás?
É difícil falar. Você está muito concentrado no jogo e é difícil ver o tamanho que foi aquilo ali. Depois do jogo, a família começa a falar e se emociona. Você fala com os amigos e recebe muitas mensagens daquele momento. Todo mundo sonha, mas não tentarei parar por aí. Tentarei jogar mais, buscar títulos dentro do clube. Sou um cara mais na minha. Não me emociono nem quando a torcida vaia. Busco equilíbrio, ser frio. Sou mais tranquilo dentro e fora de campo.
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