Rafael Ribeiro / CBFO presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou diretamente o modelo de financiamento adotado pelos principais clubes brasileiros e afirmou, na última sexta-feira (25), que o fim das atividades das casas de apostas no país é uma decisão tomada pelo governo. A declaração aconteceu durante um evento no Recife, em meio à reação de clubes contra a proibição do setor.
Lula citou Flamengo e Corinthians ao questionar as receitas obtidas pelas equipes com contratos de patrocínio de empresas de apostas. Segundo o presidente, os clubes precisarão encontrar novas formas de arrecadação após o encerramento das atividades das bets.
“Os clubes de futebol não têm o direito de querer sobreviver às custas do povo pobre que torce para o time. Aprovamos a Lei das SAFs para que os times virassem empresa, e ninguém virou empresa porque eles querem mamar nas bets! Sabe quanto o Flamengo recebe? R$ 240 milhões. Sabe o Corinthians? R$ 150 milhões. Vão ter que arranjar outra forma de ganhar dinheiro, porque a bet vai acabar!”, afirmou Lula.
A fala ocorreu após um manifesto assinado por 15 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, incluindo o Flamengo mas sem a presença colorada. Tais direções alertaram para possíveis consequências econômicas caso o atual marco regulatório das apostas seja alterado.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia classificado uma eventual proibição como devastadora para as finanças do clube. Segundo ele, a medida poderia provocar cortes no futebol profissional, nas categorias de base e nos esportes olímpicos da Gávea.
Durante o pronunciamento, Lula também criticou os altos salários praticados no futebol brasileiro e mencionou eventos realizados em Maceió para questionar gastos considerados elevados pelos clubes. Na avaliação do presidente, o combate ao endividamento de pessoas vulneráveis deve prevalecer diante dos possíveis prejuízos financeiros alegados pelas equipes.
“Ou a gente acaba com isso, ou isso vai acabar com o Brasil. E eu vou acabar com isso. Pode ficar frio. Time acha que é o torcedor que precisa se viciar em jogo para dar dinheiro ao time, para o time pagar salário caro”, completou.
Com a decisão do governo de interromper as operações das plataformas de apostas no país, os clubes que dependem desses contratos terão de buscar novas alternativas comerciais para substituir as receitas provenientes do setor.
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