Ricardo Duarte / InternacionalLogo mais na noite deste 9/12/2021 o Internacional estará encerrando sua temporada de maneira melancólica em Bragança Paulista. Geralmente nesses dias nos ocupamos em trazer informações básicas como pré-jogo, raio-X estatístico e retrospecto, cenário completamente inócuo nesta 38° rodada. Assistir o SCI ao longo destes últimos 10 meses tem sido uma tortura, chegando ao ápice de perdemos uma vaga de pré-Libertadores para adversários do nível de América-MG, Ceará, Fluminense e Atlético-GO. É o fim.
Essa incompetência observada rodada após rodada nos revolta e é um pouco disso que queremos brevemente compartilhar contigo, caro torcedor. Todavia, além de nos encontrarmos enfurecidos, nos preocupa seriamente a perspectiva que poderá ser trilhada em 2022.
O Internacional chega em dezembro praticamente esfarelado. Não há nenhum legado deixado para o próximo treinador. O elenco – que se mostrou extremamente competitivo desde 2018, com naturais altos e baixos – perdeu total confiança em si mesmo, sentido coletivo e capacidade de acompanhar uma diretriz, um caminho em comum dentro e fora de campo. Nessa caça as bruxas que nos tornamos, o cada um por si destrói ainda mais qualquer confluência enquanto o resultado só poderia ser este que vê no Beira-Rio, de ladeira abaixo.
O mítico ex-treinador do Manchester United, Sir Alex Ferguson, dizia que todo treinador de um grande clube deve ter, como indispensabilidade, uma personalidade forte. Alguém vê isso em algum lugar no departamento de futebol atual?
2022 se mostra perigosíssimo ao S, C e I entrelaçado. Ao baixar fortemente os investimentos devido as dívidas (teoricamente uma decisão correta), a direção apostava num ganho de “custo-benefício”, em fazer “mais com menos”. Porém, com escolhas desastrosas na casamata (o que não poderia ocorrer), o Internacional viu jogadores nota 6 (que rendiam acima de suas potencialidades) caírem para 5. Resultado? Uma bola de neve negativa de desclassificações aumentaram o rombo financeiro, exigindo venda de jovens da base para compensar tamanhas perdas inesperadas, enquanto minam ainda mais um ambiente interno já pressionado.
Nessa perspectiva de iniciar o próximo ano sem pedra sobre pedra, a gestão vermelha terá que basicamente diminuir as chances de erro e não inventar uma solução escabroso. Um elenco em fim de safra exigirá capacidade de visão no mercado (sem recursos financeiros), aumentando o dilema. Assim, todo colorado deve estar se perguntando: quem deveria comandar o SCI nesse cenário?
Os nomes citados até aqui foram Abel Braga (sobretudo por grande parte da torcida) e Eduardo Dominguez, um promissor treinador do Cólon. O primeiro conhece a casa, o futebol brasileiro (com as particularidades de nosso calendário), o mercado nacional, o vestiário e atua com estratégias jogo a jogo. O segundo, não conhece o Inter, o futebol brasileiro, sem experiência internacional (não domina nem o português) e tem uma filosofia de jogo paradigmática. Qual dos dois casos tem grandes chances de por tudo em risco novamente, botando tudo a perder e aumentando o fosso?
Vejam bem. Não fizemos nenhum juízo de valor, já que ambos teoricamente podem ser boas ideias, bons treinadores. Todavia, sem leitura da perspectiva atual do clube, que é complicadíssima, escolher a segunda opção é conscientemente querer inventar em um ano que – visivelmente – precisa ser feito o mais simples, o básico, correndo o risco de ter que pagar nova rescisão milionária como feita com Miguel Ramirez.
Piora ainda mais essa conjuntura observar que o vice-presidente de futebol, Emílio Papaléo, dá sinais gigantescos de despreparo, incapacidade de liderança e falta de autoridade perante o elenco. Sem um treinador com personalidade forte e estofo (o que ocorreria com um neófito, mas não com Abel Braga), um departamento de futebol tão frágil como esse parece ser a fórmula ideal para o fracasso. Em 2020 somamos 70 pontos, em 2021, com basicamente o mesmo elenco, fizemos 22 a menos, desabamos. Se isso não é um sinal de alerta, o que seria então? Cair para um time que foi rebaixado para a terceira divisão? Perder um estadual para um time que lutou o ano todo no Z4? Nada disso aconteceu por acaso, foram frutos de escolhas erradas, claramente inventadas, como Aguirre, MAR e sacar Abelão em Fevereiro.
O Inter tem poucas opções, infelizmente. Uma é inventar em um ano de alto risco, que pode inclusive nos colocar na segunda divisão em 2022 após a risível soma de pontos e demonstração de incompetência. O outro é a mínima segurança visando dar um salto de cada vez, ainda que não na altura desejada, de um futebol ‘vistoso’.
Acredite, não escrevemos esse editorial felizes, mas com o pavor de avistar uma temporada ainda pior do que a atual. Em 2002 o então presidente Fernando Carvalho abriu sua gestão de maneira tenebrosa, mas soube ouvir as críticas e trabalhar nas falhas de seu debute administrativo nos anos subsequentes. O mesmo pode ocorrer – e assim torcemos – para que Alessandro Barcellos & Cia revejam suas escolhas. 2021 foi inaceitável, mas foi um primeiro sinal de alerta.
EDITORIAL SOMOSCOLORADOS.COM
*OBS: Somos um site de torcedores, sócios, que damos opinião na tentativa de criticar e fomentar a dialética no clube. Não temos grupo político, apenas torcemos e embasamos nossos argumentos para construir um conceito do que seria o melhor para o SCI no momento. Deixem seus comentários, são todos sempre muito bem-vindos!
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