Texto por Colaborador: A. Rother 29/10/2026 - 05:30

O presidente do Internacional, Alessandro Barcellos, fez duras críticas à arbitragem após a derrota colorada por 2 a 1 para o Fluminense, nesta quarta-feira, no Maracanã, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em pronunciamento antes das perguntas dos jornalistas, o dirigente afirmou que o clube se sente prejudicado por uma sequência de decisões e questionou a atuação do árbitro e do VAR.

“A sensação é de que fomos roubados hoje”, declarou Barcellos, ao transmitir a indignação que, segundo ele, tomou conta do vestiário colorado.

O presidente afirmou que o Inter vinha tentando tratar as reclamações pelos canais institucionais, em contato com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas que a falta de mudanças o levou a tornar públicas as críticas. Para ele, os problemas de arbitragem têm se repetido e comprometido a relação de confiança entre os clubes e os responsáveis pelo futebol brasileiro.

“É uma situação muito ruim, porque nós, que estamos envolvidos no futebol, não queremos ficar revisitando esses assuntos constantemente. Existe uma espécie de pacto entre todos os envolvidos para tentar elevar o nível dessas questões de arbitragem. Mas é impossível fazer isso com o que temos visto e observado”, afirmou.

Barcellos recordou lances de partidas anteriores, incluindo o confronto contra o Mirassol, para questionar a falta de uniformidade nos critérios. Segundo ele, o Internacional já havia apresentado reclamações sobre um gol anulado na temporada passada contra o Corinthians e comparou a jogada a um lance semelhante ocorrido diante do Mirassol, no qual o gol adversário foi validado.

O dirigente também criticou a falta de esclarecimentos públicos sobre as decisões contestadas. De acordo com ele, há respostas nos bastidores, mas elas não chegam aos torcedores de maneira transparente.

“Quando respondem, respondem a portas fechadas, concordam a portas fechadas, mas não explicam nada aos fãs. Não explicam. E alguém viu alguma punição acontecer?”, questionou.

Na sequência, Barcellos citou outros episódios envolvendo o VAR, incluindo um lance em que, na avaliação colorada, a integridade física de um jogador foi colocada em risco sem que a arbitragem revisasse a jogada. O presidente também voltou a mencionar a atuação de Éber Roberto Lopes, criticando decisões tomadas em partidas anteriores.

O dirigente recordou ainda o confronto com o Botafogo, quando, segundo seu relato, o árbitro teria reconhecido um erro diante dos jogadores do Inter. Barcellos afirmou que uma jogada que poderia ter resultado em gol foi interrompida e que o próprio responsável pela arbitragem admitiu a falha, sem que isso, na avaliação do presidente, produzisse consequências.

Reclamações sobre pênalti e possível expulsão contra o Fluminense

Ao tratar especificamente da partida no Maracanã, Barcellos apontou dois lances como exemplos dos erros que considera determinantes para o resultado. O primeiro foi uma possível penalidade em Ronaldo, que, segundo o presidente, sofreu um puxão dentro da área.

“Um pênalti em Ronaldo, ele é puxado dentro da área. Sabe o que aconteceu? Para evitar a responsabilidade, ele mandou cobrar rapidamente. E o Fluminense cobrou rápido, para não dar tempo de o VAR revisar a jogada e dar sua opinião. E ficou por isso mesmo”, afirmou.

O segundo lance envolveu Renê. Para Barcellos, a falta cometida pelo jogador deveria ter resultado em cartão vermelho, mas o árbitro não o expulsou. O presidente ainda destacou que o Fluminense substituiu o atleta logo depois do episódio.

“O Renê puxa a camisa. Puxar a camisa desde que eu nasci é cartão amarelo. O que ele fez? Nada. Não expulsou o Renê. É tão verdade que a primeira substituição do Fluminense logo depois foi tirar o Renê”, declarou.

Na avaliação do dirigente, o momento do campeonato exige árbitros experientes, capazes de conduzir partidas decisivas com maior segurança. Ele demonstrou preocupação com a designação de profissionais que considera inexperientes para a reta final da competição.

“Estamos na reta final do campeonato. Precisamos dos melhores árbitros. Estão colocando árbitros inexperientes, infelizmente. Vamos ver o que acontece nas próximas rodadas”, disse.

Barcellos afirmou que as tentativas de construir uma relação colaborativa para melhorar o futebol brasileiro ficam comprometidas quando os problemas de arbitragem continuam se repetindo.

“Não adianta tentar baixar um pouco o tom, construir uma parceria para melhorar o futebol brasileiro, cobrar dirigentes, cobrar jogadores que simulam faltas, que fazem cera, melhorar as regras, se a arbitragem piora. Então, não há pacto para melhorar o futebol, porque um pacto depende de todos, e aqueles que precisam melhorar não melhoram”, criticou.

O presidente também justificou o tom contundente do pronunciamento, afirmando que o clube precisa manifestar sua insatisfação apesar do risco de punições por declarações públicas.

“Desculpem o desabafo, mas esse é o sentimento do nosso vestiário hoje: indignação com o que está acontecendo. E tentei usar palavras que não ferissem a sensibilidade de ninguém. Hoje, qualquer entrevista ou declaração pode resultar em punição, em processo, e isso acaba se tornando uma verdadeira lei da mordaça. Acho que já superamos esse momento e precisamos vir aqui fazer essa manifestação”, afirmou.

Inter promete continuar as reclamações formais à CBF

Questionado sobre a possibilidade de o clube adotar uma postura ainda mais firme diante da sequência de episódios, Barcellos garantiu que o Internacional não deixou de agir nos bastidores. O presidente afirmou que a direção documentou os lances, manteve contatos com a CBF e seguiu os procedimentos previstos no protocolo de arbitragem da entidade.

“Não deixamos de nos mobilizar, nos manifestar e nos articular internamente com a CBF por um minuto. Registramos todos esses pontos, seguimos o protocolo acordado e formalizamos nossas reclamações, entendendo que esse era o caminho correto e a melhor forma de resolver a situação. Não funcionou”, declarou.

O dirigente reconheceu que a manifestação pública poderia ter ocorrido antes, mas ressaltou que o clube trabalhou na preparação das reclamações, com reuniões, contatos e documentação dos episódios. Segundo ele, houve explicações ou reconhecimento dos lances em diferentes ocasiões, sem que as medidas esperadas fossem tomadas.

“Estamos vendo isso acontecer cada vez mais com o Internacional, e isso é inaceitável. Não vamos aceitar. Que fique registrado publicamente: vamos fazer novamente todos os protocolos e procedimentos previstos no protocolo de arbitragem da CBF”, afirmou.

Para Barcellos, a atuação da arbitragem teve influência direta no desfecho do confronto no Maracanã.

“É completamente inaceitável que a partida de hoje tenha sido decidida, no fim das contas, por erros de arbitragem”, concluiu sobre o tema.

Presidente convoca torcida para a reta final do Brasileirão

Apesar da revolta com a arbitragem, Barcellos também direcionou uma mensagem aos torcedores colorados, destacando a necessidade de mobilização para os próximos compromissos. O dirigente afirmou que o objetivo do Inter sempre foi conquistar os três pontos no Rio de Janeiro e que o planejamento da semana foi voltado para essa meta.

“Viemos aqui para ganhar o jogo. Esse foi nosso objetivo desde que terminou a partida anterior, no Beira-Rio. Trabalhamos durante toda a semana com esse propósito, conversamos sobre isso antes do jogo e também no vestiário. Essa era a mentalidade, e é assim que vamos continuar trabalhando”, garantiu.

O presidente pediu que o elenco mantenha as características que, em sua avaliação, foram recuperadas nas últimas partidas: espírito de luta, coragem, organização tática e capacidade de reação.

“Não podemos perder essa essência que recuperamos: a combatividade, a coragem, a organização tática e a capacidade de resiliência para conseguir resultados. Não podemos enxergar de outra maneira”, disse.

Barcellos ressaltou que o Inter precisa do apoio da torcida no Beira-Rio e afirmou que a mobilização dos colorados pode fazer diferença na tentativa de escapar do rebaixamento. Ele lembrou que a presença dos torcedores no último jogo em casa foi importante para conectar a equipe à arquibancada.

“Agora é hora de ir para o Beira-Rio, mobilizar a torcida e fazer um grande jogo na terça-feira, porque precisamos dessa vitória, precisamos dessas vitórias. Essa mesma mobilização será necessária em todos os jogos. Não há outro caminho”, afirmou.

O dirigente também disse esperar que a repercussão das reclamações sobre a arbitragem produza alguma consequência. Para ele, os erros registrados no Maracanã não podem ser tratados como um episódio isolado, especialmente diante da importância dos pontos na reta final do campeonato.

Ao encerrar sua mensagem, Barcellos voltou a destacar o papel dos torcedores na reação colorada e relacionou o apoio das arquibancadas à capacidade de superar as dificuldades dentro de campo.

“A presença da torcida no último jogo foi fundamental. A força dos torcedores, a energia que se espalhou pelo estádio e conectou a equipe em campo com a arquibancada precisam ser um diferencial para conseguirmos superar essa situação”, declarou.

O presidente recordou ainda que o Inter já havia enfrentado uma decisão de arbitragem contestada no Beira-Rio e conseguiu reagir com o apoio da torcida, apesar de ter tido um gol anulado. Na avaliação dele, a equipe precisa manter o compromisso demonstrado em campo e transformar o apoio dos colorados em resultados nas partidas restantes do campeonato.

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