Texto por Colaborador: A. Rother 15/04/2026 - 01:20

O economista Caio Resende, presidente da recém-instalada Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), expôs um diagnóstico crítico sobre a saúde financeira dos clubes no Brasil. Em entrevista ao jornal O Globo, o especialista revelou que o país atravessa um cenário contraditório: ao mesmo tempo em que o faturamento do setor atinge patamares históricos, a fragilidade econômica das agremiações nunca foi tão acentuada.

De acordo com Resende, o futebol brasileiro experimentou um crescimento de 35% em suas receitas nos últimos dois anos. No entanto, esse fluxo de caixa não resultou em instituições mais sólidas. Pelo contrário, os gastos operacionais subiram 40% e os investimentos em novas contratações dispararam 140%. O resultado direto desse descontrole é um endividamento que quase dobrou no período, saltando de aproximadamente R$ 8 bilhões em 2022 para quase R$ 14 bilhões em 2024 — um aumento de cerca de 80% nas dívidas.

A preocupação da agência reguladora, que iniciou a fiscalização rigorosa em 1º de janeiro de 2026, recai sobre a insustentabilidade desse modelo. A ANRESF agora monitora pilares como o teto de gastos com elenco (limite de 70% da receita bruta) e o equilíbrio operacional, punindo clubes que gastam sistematicamente mais do que arrecadam. O cenário é agravado pela projeção de que os dados consolidados de 2025 mostrem uma situação ainda mais deteriorada do que a registrada nos anos anteriores.

Para o presidente do órgão fiscalizador, o momento exige uma mudança drástica de mentalidade na gestão esportiva. A implementação do Fair Play Financeiro no Brasil visa justamente evitar colapsos financeiros futuros, estabelecendo regras de transparência e limites para o endividamento de curto prazo. Sem essas amarras, o alerta é claro: o recorde de arrecadação continuará sendo insuficiente para mascarar a crise estrutural que fragiliza os principais clubes do país.

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