Texto por Colaborador: A. Rother 14/09/2026 - 03:00

Pressionado e com o cargo ameaçado antes da partida, Paulo Pezzolano ganhou fôlego para seguir à frente do Inter nas 11 rodadas que ainda restam do Campeonato Brasileiro. O time continua na zona de rebaixamento, mas ao menos voltou a enxergar uma possibilidade de reação. A vitória na Arena Condá encerrou um jejum de 10 jogos sem vencer no Brasileirão, mas está longe de tranquilizar o torcedor — ao menos do nosso ponto de vista.

A atuação em Chapecó, por sinal, reforçou o que consideramos um erro da direção do Internacional ao não demitir o treinador uruguaio. Apresentando atualmente um dos piores desempenhos futebolísticos da Série A, o Inter passou sufoco para vencer a lanterna Chapecoense. A partida deixou ainda mais evidente que o time não apresenta, neste momento, elementos que indiquem uma melhora consistente dos 34% de aproveitamento conquistados até aqui.

Na entrevista coletiva, Pezzolano afirmou:

 “O que fizemos hoje, funcionou porque ganhamos. Porque se não marcássemos o segundo gol e se Matheus Cunha não faz a defesa que fez, estaria tudo errado de novo.”

A avaliação, porém, é bastante superficial. O Internacional, em sua grande maioria, não apresenta rendimento — como novamente ocorreu neste fim de semana — e muito menos consegue transformar suas atuações em resultados. Afinal, quais jogos Pezzolano tem visto ou avaliado do próprio time?

O treinador precisa ir para casa lembrando de uma coisa: o Inter só ganhou porque a Chapecoense deu um gol para o nosso time. Deu. É preciso deixar isso muito claro.

A coletiva pode até ajudar a tirar um pouco da pressão, e a vitória naturalmente precisa ser comemorada. Mas não jogamos nada além do pior time do Campeonato Brasileiro. O treinador parece não ter entendido que o Internacional jogou no mesmo nível — ou até pior — que o 20º colocado da competição.

E ele precisa ser alertado sobre isso.

Pezzolano parece claramente inexperiente para o momento que o clube atravessa. Em alguns momentos, dá a impressão de estar vivendo em outra dimensão, talvez em Nárnia. Falta autocrítica. A sensação é de que ele acredita estar fazendo tudo certo, quando os números e, principalmente, o futebol apresentado pelo Inter apontam para outra direção.

Mais uma vez, Pezzolano praticamente implorou para que o time jogasse os três pontos no lixo. O treinador ainda não parece ter entendido a situação do Internacional. Não existe senso de urgência.

O Inter precisa pontuar em praticamente todos os jogos que restam. Nesse cenário, Pezzolano deveria fazer o básico. Se inventar menos e apostar no feijão com arroz, o time ainda terá alguma chance de reação. Se continuar insistindo nas escolhas que vem fazendo, destruindo seguidamente a temporada colorada, a situação ficará cada vez mais difícil.

O elenco do Inter é fraco. Isso é uma realidade. Mas, em vez de montar a equipe de maneira a atenuar suas limitações, o treinador parece fazer justamente o contrário: escala de forma a acentuar ainda mais a falta de qualidade do grupo.

A impressão é de que, se tivesse inventado menos e deixado de lado suas “pardalices”, o Inter poderia estar com, no mínimo, seis pontos a mais.

Queríamos estar apenas curtindo a vitória do Inter neste momento. Mas todos os sinais indicam que, com esse treinador, continuaremos brincando de ser Guardiola com um time que precisa, acima de tudo, fazer o básico: arroz com feijão.

É estressante acompanhar as bizarrices.

Independentemente da vitória, seguimos com a mesma opinião. Foi uma vitória de sobrevivência, e precisamos comemorá-la muito. Afinal, depois de 10 jogos sem vencer, qualquer resultado positivo tem peso. Mas não jogamos nada. O time é um nada. Não ataca bem, não defende bem, é instável, previsível e apresenta pouquíssimo repertório.

Na nossa avaliação, o trabalho de Pezzolano seguiu exatamente igual em Chapecó. Só vencemos porque a Chapecoense é um time pior que o nosso, assim como estávamos vencendo o Remo até o último lance.

E agora não há espaço para relaxar. O próximo jogo exige que o Inter esteja 101% ligado. Se continuar nessa, o São Paulo vai levar vantagem. É preciso entender o tamanho da oportunidade que está pela frente: uma vitória pode significar até mesmo a saída da zona de rebaixamento e criar o cenário para um Beira-Rio lotado contra o Corinthians.

Ou muda agora ou já estamos na Série B.

Até o Grêmio mudou ao perceber a falta de rendimento futebolístico. A direção do Internacional, porém, parece determinada a demonstrar sua inaptidão até mesmo no momento de não agir.

O Inter precisa mudar o rumo desta comissão técnica. Caso contrário, provavelmente cairá.

EDITORIAL SC

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