Texto por Colaborador: A. Rother 30/10/2026 - 02:13

Fernando Carvalho voltou a abordar a polêmica do Campeonato Brasileiro de 2005 e os bastidores da disputa pelo título entre Internacional e Corinthians. Em entrevista ao Mesa 10 Podcast, o ex-presidente colorado relembrou os impactos da anulação e posterior remarcação de partidas, os erros de arbitragem que, segundo ele, prejudicaram o Inter e as dificuldades enfrentadas pelo clube naquele período. Também esclareceu que a atual reivindicação não busca retirar a conquista dos paulistas, mas obter o reconhecimento do Colorado como campeão daquele ano.

Carvalho contou que a mudança na tabela teve um impacto emocional significativo sobre o elenco. O Internacional estava na liderança, mas caiu para a terceira posição depois da devolução dos pontos das partidas anuladas. Na sequência, empatou com o Fluminense em uma atuação que, segundo o ex-dirigente, refletiu o abatimento dos jogadores diante da situação.

“O grupo entrou em campo para um jogo contra o Fluminense aqui; estávamos na liderança, caímos para o terceiro lugar e empatamos. Na verdade, a atuação foi a de um time abatido por causa daquela mudança na tabela”, recordou.

O ex-presidente também apontou erros de arbitragem em confrontos contra Corinthians e Juventude. Neste último, destacou uma sequência de decisões de Alício Pena Júnior que, em sua avaliação, prejudicou diretamente o Internacional. O Colorado vencia por 1 a 0 quando teve dois jogadores expulsos. Depois, o árbitro marcou um pênalti para o Juventude, defendido por Cléber, mas determinou a repetição da cobrança. Na segunda tentativa, o adversário marcou e, mesmo com dois jogadores a mais, conseguiu virar o confronto.

“Quem leva a pior não esquece. Estávamos ganhando de 1 a 0 contra o Juventude. O árbitro, Alício Pena Júnior, expulsou dois dos nossos jogadores. Depois, marcou um pênalti para o Juventude, o Cléber defendeu, mas o árbitro mandou repetir”, relatou.

Carvalho comparou a atuação à arbitragem de Márcio Rezende de Freitas no confronto contra o Corinthians e afirmou que os episódios foram se acumulando ao longo da competição. Segundo ele, o Inter também perdeu para o Paraná, em Cascavel, em um momento no qual o sentimento de que o título estava escapando afetava o ambiente da equipe.

O dirigente reconheceu ainda que o desempenho colorado na última rodada, quando perdeu para o Coritiba, foi muito ruim. Mesmo assim, afirmou que o Internacional poderia ter conquistado o título caso o Corinthians não tivesse disputado novamente as partidas anuladas.

Internamente, porém, a sensação de injustiça acabou servindo como combustível para o grupo. Carvalho explicou que o sentimento mobilizou jogadores e dirigentes para a temporada seguinte, que terminou com as conquistas da Libertadores e do Mundial de Clubes.

“Esse fator de injustiça, de vitimização que ocorreu, acabou sendo o motor para mobilizar todos para um janeiro em que começamos com o espírito já elevado, com a Libertadores, com a projeção de ganhar a Libertadores, de ir mais longe e, depois, de conquistar o Mundial de Clubes”, afirmou.

Apesar das dificuldades, o ex-presidente revelou que o Inter continua tentando avançar em uma reivindicação administrativa relacionada ao Brasileirão de 2005. Ele reconheceu que o caminho é complicado, mas disse que o clube segue trabalhando para buscar o reconhecimento.

Ao ser questionado sobre o momento mais difícil de sua trajetória como dirigente entre 2002 e 2006, Carvalho apontou justamente 2005. Além da disputa esportiva, o clube enfrentou um problema jurídico envolvendo um associado que havia ingressado na Justiça para tentar impedir que o Corinthians recebesse o título. A ação poderia trazer consequências graves ao Internacional, inclusive uma possível punição que resultasse em rebaixamento à segunda divisão.

O ex-presidente destacou a participação do advogado Fábio Koff na condução daquele episódio. Segundo Carvalho, ele ajudou a mediar um acordo para que o associado desistisse do processo e Luiz Sweater recuasse da possibilidade de determinar o rebaixamento do Colorado.

“Chegamos a um acordo e desistimos do processo judicial e, consequentemente, reconhecemos o título do Corinthians”, contou.

Carvalho, entretanto, fez questão de diferenciar aquela decisão da reivindicação que o Internacional apresenta atualmente. Segundo ele, a discussão não envolve retirar o título dos paulistas, mas reconhecer também o clube gaúcho como campeão brasileiro de 2005.

“Não, mas o assunto em debate não é se o Corinthians perderá o título. O assunto é se devemos, ou temos o direito, de ser equiparados ao Corinthians. Essa é a discussão”, explicou.

O ex-presidente reforçou que a intenção é manter a conquista corintiana e garantir ao Inter o mesmo reconhecimento histórico. “O Corinthians mantém o troféu, eles já têm o bônus no bolso, a faixa no peito e o troféu na vitrine. O que queremos é também ter o nosso troféu, sabe? Também ter a nossa faixa, sem o bônus para os jogadores”, concluiu.

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