Texto por Colaborador: A. Rother 31/10/2026 - 02:32

As reclamações contra a arbitragem marcaram o confronto entre Mirassol e Corinthians, nesta sexta-feira, na Neo Química Arena. Inconformados com a expulsão do atacante Bruno Santos ainda no primeiro tempo, o técnico Rafael Guanaes e o lateral-esquerdo Reinaldo criticaram a atuação de Matheus Candançan e apontaram a pressão exercida sobre os profissionais responsáveis pelo jogo.

No intervalo, Guanaes não escondeu a irritação com a decisão que deixou sua equipe com um jogador a menos. A manifestação foi ouvida pela repórter Débora Carvalho, da Globo.

“Se for para continuar desse jeito, dá logo esses três pontos para o Corinthians”, disparou o treinador, que recebeu cartão amarelo por reclamação.

O principal motivo do protesto foi a expulsão de Bruno Santos, aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o placar ainda estava em 0 a 0. O atacante atingiu o rosto de André Ramalho com o braço. Inicialmente, Candançan mostrou cartão amarelo, mas mudou a decisão após ser chamado pelo VAR, José Cláudio Rocha Filho, e revisar o lance no monitor.

Reinaldo também se manifestou no intervalo e cobrou mais critério da arbitragem. O lateral-esquerdo questionou a expulsão do companheiro e mencionou as ameaças feitas pelo presidente da Gaviões da Fiel aos profissionais que trabalhariam na partida.

“Tem que ter critério. Eu sei que a do Kaio Cezar lá no Willian não era pra vermelho, mas pelo menos um amarelo, né? A gente sabe o quanto ele está pressionado. A torcida dos caras, todo mundo viu o que falaram, ameaçaram. Então é complicado”, afirmou.

A declaração faz referência a uma publicação feita na quinta-feira por Alexandre Domenico, presidente da Gaviões da Fiel. Em tom de ameaça, o dirigente da torcida organizada afirmou que a “cota” de erros contra o Corinthians em jogos como mandante havia ultrapassado o limite. Também declarou saber onde os profissionais da arbitragem estavam hospedados na capital paulista.

As reclamações do Mirassol acontecem em meio a um cenário de contestação envolvendo a arbitragem em partidas decisivas do Brasileirão. O Internacional, por exemplo, também manifestou indignação após a derrota por 2 a 1 para o Fluminense, no Maracanã, e levou suas queixas à CBF.

O presidente colorado, Alessandro Barcellos, classificou o episódio como um “assalto” e cobrou a escalação de árbitros mais experientes para a reta final do campeonato. Na avaliação da direção do Inter, decisões recentes têm prejudicado equipes que lutam contra o rebaixamento e favorecido o Corinthians.

No confronto com o Fluminense, o principal alvo das críticas foi o árbitro Lucas Casagrande, do Paraná, e a atuação do VAR, comandado por Héber Roberto Lopes. Os colorados reclamaram da não expulsão de Renê após uma entrada forte sobre Ronaldo. Mais tarde, o lateral cometeu outra falta em Bruno Gomes, que avançava em direção ao gol, mas não recebeu o segundo cartão amarelo. O Inter também cobrou um pênalti por um puxão de Thiago Silva dentro da área.

Após a partida, o técnico Eduardo Baptista afirmou que a arbitragem havia interferido no resultado. “O resultado foi alterado (pela arbitragem). E a gente fica indignado”, declarou.

Barcellos também criticou a escolha dos profissionais para os jogos da reta final. “O que aconteceu aqui (Maracanã) infelizmente é um retrocesso. Nós estamos na reta final do campeonato, nós temos que ter os melhores árbitros, estão escalando árbitros inexperientes”, afirmou.

O Inter divulgou uma nota oficial de indignação e procurou a CBF para discutir os lances. A manifestação, porém, teve consequências para o presidente: na súmula, Lucas Casagrande relatou que Barcellos dirigiu palavrões a ele “aos gritos e de forma agressiva” e cobrou explicações pela não expulsão de Renê. O dirigente foi denunciado e terá de comparecer a julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), marcado para 5 de novembro.

Os protestos de Mirassol e Inter ampliam a discussão sobre a arbitragem justamente em um momento decisivo do campeonato, com clubes envolvidos na luta contra o rebaixamento atentos a cada decisão. Para o time paulista, a expulsão de Bruno Santos foi o centro da revolta no duelo com o Corinthians; para os colorados, os episódios no Maracanã reforçaram a cobrança por critérios mais rigorosos e profissionais mais experientes nas rodadas finais.

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