Texto por Colaborador: A. Rother 14/10/2026 - 01:00

Em entrevista à Rádio Carve Deportiva, do Uruguai, Paulo Pezzolano comentou de forma mais aberta sua saída do Internacional na reta final do Campeonato Brasileiro. Substituído por Eduardo Baptista, o treinador reconheceu que os resultados ficaram abaixo do esperado, mas avaliou que o desempenho colorado justificava uma posição melhor na tabela.

“Saímos de um clube gigante que está passando um momento muito duro, é o ano mais complicado economicamente, com muitas dívidas, muitos problemas que não se pôde contratar durante o ano. Para o torcedor no Brasil ou você é Deus ou é o pior. Não tivemos resultados que podiam nos deixar um pouco melhor, estávamos embaixo na tabela. Mas na verdade, sinto um carinho tremendo das pessoas. Essa é a felicidade que resta”, declarou.

Pezzolano também relacionou as dificuldades da temporada à situação financeira do clube, que, segundo ele, enfrenta problemas acumulados ao longo dos últimos anos. O técnico citou dívidas, transfer bans e limitações para contratar reforços, além de mencionar o período eleitoral.

“Temas econômicos vêm de anos, como uma bola de neve que se formou. Muito dinheiro se foi e custou repor. Te bloqueiam com transfer ban, não se pode contratar, tiveram muitos. Então, não havia dinheiro, ano de eleições, é um ano diferente em um clube gigante como Inter. Isso no futebol brasileiro interfere muito, clubes investem muito e se nota quando não pode contratar ao nível que o Inter deveria contratar”, afirmou.

Apesar dos resultados, o uruguaio elogiou o ambiente de trabalho e agradeceu ao então presidente Alessandro Barcellos, a Abel Braga e ao executivo Fabinho Soldado. Na avaliação do treinador, o Inter poderia ter terminado o campeonato entre os primeiros colocados.

“O trabalho no dia a dia foi espetacular e vou estar agradecido sempre com o presidente, com Abel Braga, com Fabinho Soldado. Uma lástima que futebol não é merecimento, mas merecia ter muitos mais pontos. Não é um treinador que está dizendo, mas as estatísticas. Inter era para estar em quinto ou sexto na tabela, mas estávamos abaixo”, disse.

O carinho demonstrado pelos torcedores após sua saída também marcou a passagem de Pezzolano pelo Beira-Rio. Ele contou que esperava uma reação diferente nas redes sociais, diante da campanha da equipe, mas recebeu mensagens de apoio e reconhecimento pelo trabalho.

“O grande aprendizado foi o carinho que as pessoas me deram. Quando fiz o post, que um amigo faz, que administra minhas redes, espera outro tipo de resposta. Mas não, disseram ‘você vai voltar’, ‘não era o ano para você’, ‘o trabalho foi espetacular’, isso não é normal para um clube gigante. O mais lindo foi que, apesar dos resultados, há lugares no mundo que te valorizam a maneira de trabalhar”, relatou.

Livre no mercado desde a demissão, Pezzolano confirmou ter recebido consultas, inclusive de equipes brasileiras, mas afirmou que pretende avaliar com cuidado o próximo destino. A entrevista à Carve Deportiva destacou a posição do treinador com a frase: “Quero escolher bem o próximo passo.”

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