Texto por Colaborador: A. Rother 05/11/2026 - 03:33

O Internacional venceu o Coritiba por 1 a 0, na terça-feira, no Beira-Rio, e conquistou três pontos fundamentais na luta contra o rebaixamento. Entretanto, o desempenho colorado esteve longe de convencer. Em análise publicada no YouTube, Ribeiro Neto reconheceu a importância do resultado, mas fez duras observações sobre as escolhas táticas de Eduardo Baptista, a falta de qualidade do elenco e as dificuldades apresentadas pela equipe ao longo dos 90 minutos.

Para o jornalista, o Inter teve uma atuação muito ruim e contou com um lance inesperado nos acréscimos para evitar um resultado desastroso. O pênalti cometido por Moledo, ao levantar a perna e atingir Juninho na nuca, acabou proporcionando a oportunidade que o Colorado precisava para garantir a vitória.

"Um pênalti totalmente fortuito. [...] Os torcedores estão agradecendo ao Moledo, porque o pênalti que ele cometeu nos acréscimos foi uma dádiva para o Internacional", comentou Ribeiro Neto, que ressaltou o sofrimento da equipe durante uma partida em que, apesar de passar boa parte do segundo tempo no campo adversário, encontrou enormes dificuldades para finalizar.

A análise também passou pela organização inicial da equipe. Ribeiro Neto considerou que Eduardo Baptista não montou bem o time, especialmente pela escolha de Carbonero em uma partida na qual Alan Patrick sequer estava entre os reservas. Na avaliação do comentarista, a ausência de um jogador capaz de organizar as ações ofensivas deixou um vazio entre o meio-campo e o ataque.

"Quando ele escolhe o Carbonero, puxando um coelho da cartola hoje, simplesmente destruiu qualquer tipo de construção no meio-campo. Havia um buraco entre os volantes e o ataque, e o Inter jogava praticamente em um 3-4-3", afirmou.

O problema ficou ainda mais evidente diante da estratégia do Coritiba. Como havia previsto durante o debate, o adversário conseguiu ocupar melhor o setor central e explorar os corredores laterais. Com dois pontas abertos e pressão na saída de bola, os visitantes obrigaram os laterais colorados a permanecerem mais próximos da defesa, reduzindo as alternativas para avançar.

"Então, o Inter não tinha saída por lugar nenhum", resumiu Ribeiro Neto ao avaliar o primeiro tempo, que classificou como miserável. O Coritiba criou oportunidades e chegou a balançar as redes, mas teve um gol anulado por uma margem mínima. Do outro lado, o Colorado pouco produziu e teve como uma de suas chances uma cabeçada de Mateus Bahia dentro da pequena área, direcionada ao goleiro adversário.

O jornalista também chamou atenção para o nervosismo dos jogadores, que demonstravam dificuldades até mesmo para controlar a bola. A tensão com a arbitragem, segundo ele, prejudicou ainda mais uma equipe que já apresentava problemas na construção das jogadas.

No intervalo, a expectativa era de que Eduardo Baptista modificasse a formação, mas o treinador manteve os mesmos jogadores. A mudança veio pelo comportamento do adversário, que recuou suas linhas e permitiu ao Internacional ocupar o campo ofensivo. Ainda assim, a superioridade territorial não se transformou em domínio efetivo.

"Foi um jogo de um time só, um jogo de meio-campo para frente. Mas o Internacional começou a jogar bola na área, chutar de média distância, porque não tinha qualidade para entrar numa defesa muito fechada", observou Ribeiro Neto.

Sem Alan Patrick, o Colorado voltou a sentir falta de alguém capaz de controlar o ritmo da partida. O comentarista também questionou a pouca utilização de Calebe, contratado para exercer uma função de criação e oferecer uma alternativa justamente em situações como aquela.

"Inter não sabe ditar o ritmo do jogo. Sem Alan Patrick é muito difícil. Já que o Eduardo Baptista não confia no Calebe, que foi contratado para ser uma espécie de substituto do Alan Patrick", destacou.

A falta de qualidade também apareceu nas avaliações individuais. Carbonero pouco acrescentou, Vitinho teve uma atuação muito ruim e Bruno Gomes, apesar da entrega reconhecida pelo comentarista, não conseguiu vencer as disputas durante o confronto.

"Eu sei que estão elogiando o Bruno Gomes. O Bruno perdeu tudo no jogo, né? Ah, mas ele é esforçado. Claro que é", ponderou Ribeiro Neto.

Villagra também recebeu uma avaliação semelhante. O jornalista reconheceu suas virtudes defensivas, especialmente na marcação e na ocupação dos espaços, mas destacou que sua participação ofensiva é limitada pela característica dos passes.

"Um excelente volante, mas o Inter precisava ditar o ritmo do jogo e, para isso, precisava de jogadores com maior qualidade técnica", explicou.

Na visão do comentarista, a equipe demorou para modificar a formação com três zagueiros e apresentou uma série de problemas que poderiam ter custado muito caro. Ainda assim, a entrega dos jogadores foi reconhecida, embora não tenha sido suficiente para compensar as deficiências técnicas.

A decisão acabou sendo definida por Alerrandro, que assumiu a responsabilidade de cobrar o pênalti nos acréscimos. Ribeiro Neto demonstrou surpresa com a escolha, pois imaginava que Bruno Henrique fosse o responsável pela batida. Também ressaltou que o atacante atravessava um período de pouca confiança, mas conseguiu superar o momento e marcar o gol decisivo.

"Um jogador sem confiança, um jogador que não deslancha, não faz gols, que se entrega e tal, mas não tem qualidade. Bom, foi lá e resolveu. E é isso que conta", afirmou.

O resultado teve um peso enorme na classificação. Com a vitória, o Internacional deixou provisoriamente a zona de rebaixamento e voltou a enxergar possibilidades de permanência. Ribeiro Neto, entretanto, fez questão de lembrar que a situação continua muito complicada e que o time ainda depende de outros resultados, especialmente na disputa envolvendo Grêmio e Corinthians.

O Colorado também terá dois jogos em casa, contra Vitória e Bragantino. Caso consiga vencer ambos, chegará aos 44 pontos, marca que, neste momento, seria suficiente para escapar do rebaixamento. O comentarista, porém, não demonstrou tanta tranquilidade em relação à projeção.

"Eu estou com medo de que essa média possa até subir, porque todo mundo está ganhando", alertou, citando os resultados de Mirassol e Chapecoense como exemplos de que a disputa permanece bastante apertada.

Ao final, Ribeiro Neto destacou que a vitória era indispensável diante do cenário desesperador vivido pelo Internacional. O gol nos acréscimos trouxe alívio depois de uma partida sofrida, mas não apagou os problemas apresentados pelo time.

"Eu sei que muita gente vai escolher alguns jogadores pelo empenho, mas todo mundo teve empenho. O que faltou foi qualidade, não é?", concluiu.

Assim, embora tenha comemorado os três pontos e reconhecido a importância do resultado, o jornalista deixou claro que o Internacional ainda precisa melhorar muito. A equipe conseguiu escapar de um tropeço que poderia ter sido determinante na luta contra o rebaixamento, mas segue apresentando limitações técnicas e táticas que tornam a reta final do Brasileirão ainda mais preocupante.

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