Reprodução / SportvA vitória do Internacional por 1 a 0 sobre o Coritiba, na terça-feira, no Beira-Rio, trouxe um alívio importante na luta contra o rebaixamento, mas não escondeu os problemas apresentados pela equipe. Durante participação no programa Troca de Passes, Roger e Mansur analisaram o desempenho colorado, destacaram a ausência de Alan Patrick, questionaram algumas decisões de Eduardo Baptista e chamaram atenção para o aumento da pontuação necessária para escapar da Série B.
Um dos principais alertas veio de Mansur, que apresentou um levantamento sobre a evolução da linha de corte do rebaixamento. Segundo o comentarista, a pontuação projetada para garantir a permanência está aumentando rapidamente, tornando a situação ainda mais preocupante para os clubes que lutam contra a queda.
"Quando terminou a rodada 32, a linha da zona de rebaixamento estava em 34 pontos. 34 pontos dá um aproveitamento de 1,06 ponto por rodada. Se você projetar para 38 rodadas, dava 40,3 pontos ao final do campeonato", explicou.
O cenário, entretanto, mudou com os resultados mais recentes. Após a vitória colorada, a linha de corte chegou aos 37 pontos, com o Grêmio ocupando a 17ª colocação, com 33 jogos disputados. Dessa maneira, a projeção para o encerramento do Brasileirão passou de 40,3 para 42,6 pontos.
Mansur também apresentou uma possibilidade ainda mais preocupante: caso a linha de rebaixamento alcance os 39 pontos nesta rodada, a projeção final subiria para 43,6. O comentarista ressaltou que seria necessário um conjunto de resultados improváveis para isso acontecer, mas lembrou que os clubes envolvidos na disputa seguem conquistando vitórias importantes.
"Ela sai em duas rodadas de 40,3 para 43,6. [...] Nesse ponto, a linha de corte parece que está subindo muito rápido nesse momento", alertou.
A análise mostra que os 44 pontos, que atualmente representam uma possibilidade de salvação para o Internacional, podem não oferecer a mesma segurança caso os concorrentes continuem pontuando. Para Mansur, os confrontos diretos e a ambição de cada equipe na reta final também influenciam os resultados, tornando as projeções cada vez mais difíceis.
Na sequência, Roger voltou a atenção para o desempenho colorado e destacou o impacto da ausência de Alan Patrick. Considerado o jogador mais refinado tecnicamente do elenco, o camisa 10 faz falta especialmente na organização ofensiva e na capacidade de controlar as partidas.
"Quando você não tem o Alan Patrick, que é o jogador mais refinado tecnicamente, dono de uma categoria muito acima do que o Inter tem no seu elenco, dá para prever, sem nenhuma dúvida, que o Inter vai ter mais dificuldade de controlar o jogo, de ter um passe diferente, de encontrar situações mais claras de finalização", avaliou.
Para o comentarista, a falta do meia ajuda a explicar parte das dificuldades ofensivas apresentadas pela equipe, embora não seja o único problema. Roger também analisou a atuação de Carbonero, que deixou o campo vaiado por parte da torcida, mas recebeu uma avaliação mais positiva do que outros jogadores do setor ofensivo.
Na visão do jornalista, a reação dos torcedores esteve mais relacionada ao contexto das últimas rodadas e ao comportamento do colombiano do que propriamente ao desempenho diante do Coritiba. Roger considerou que o atacante foi um dos jogadores mais incisivos do Internacional, procurando o confronto individual e tentando finalizar.
"Eu não achei um jogo ruim do Carbonero. Carbonero, no setor ofensivo, foi o jogador mais incisivo, que procurou mais as jogadas individuais, que mais finalizou. Hoje ele foi melhor do que o Vitinho para mim em campo", afirmou.
Questionado sobre os erros cometidos pelo colombiano, Roger ponderou que o jogador também se expõe justamente por tentar resolver as jogadas. Diferentemente de atletas que preferem devolver a bola ou optar por passes mais seguros, Carbonero procura avançar e construir alternativas ofensivas.
"É um jogador que não se esconde. Dificilmente você vai ver o Carbonero dominar essa bola e se livrar dela mais rápido ou buscar uma jogada defensiva para trás para poder se livrar da bola. Ele primeiro domina, olha para frente ou tenta a jogada individual", explicou.
Outro ponto bastante criticado foi a demora de Eduardo Baptista para realizar substituições. Roger considerou que, em uma partida na qual o Internacional precisava desesperadamente da vitória, era fundamental manter jogadores fisicamente preparados para pressionar a defesa adversária.
O comentarista destacou que Vitinho já demonstrava desgaste acentuado desde os 15 minutos do segundo tempo. Carbonero também havia perdido intensidade, enquanto Alerrandro igualmente apresentava sinais de cansaço. Apesar disso, o treinador manteve os principais jogadores de ataque durante boa parte da etapa final.
"Vitinho estava morto fisicamente desde os 15 minutos do segundo tempo. O próprio Carbonero tinha cansado, que são os dois jogadores mais agudos, né? O Alerrandro também cansado", observou Roger.
A crítica ganhou força quando o jornalista lembrou que, das cinco substituições realizadas, apenas João Bezerra era uma opção ofensiva. As outras alterações envolveram jogadores de meio-campo e da defesa, como Ronaldo, Bruno Henrique, Bernabei e Calebe.
Roger reconheceu que as opções disponíveis no banco de reservas eram limitadas, mas questionou a falta de alternativas utilizadas pelo treinador. Entre os jogadores que permaneceram sem entrar estavam os atacantes Elias e João Vitor, além do zagueiro Victor Gabriel, do volante Paulinho e do meia Alex.
"Eu acho que quando ele olha para o banco não dá confiança de que ele vai conseguir mudar alguma coisa", ponderou.
O comentarista também lembrou que João Vitor havia sido utilizado nas partidas contra Botafogo e Fluminense, enquanto Carbonero permaneceu no banco de reservas. Para Roger, o atacante poderia oferecer uma alternativa física para atacar os espaços e permitir que o Inter explorasse bolas lançadas à área, especialmente em um confronto no qual a construção técnica não estava funcionando.
"Se ele coloca o João Vitor, é um jogador forte, que você consegue pelo menos esticar a bola para ele ganhar na velocidade e botar uma bola para dentro da área", explicou.
Mansur, por sua vez, apresentou uma análise mais detalhada das movimentações táticas do Internacional, especialmente pelo lado direito. O comentarista destacou a função híbrida desempenhada por Bruno Gomes, que participa da linha defensiva com três zagueiros, mas também avança para atuar como meio-campista ou ala durante as ações ofensivas.
"Ele defende como um zagueiro pela direita numa linha de cinco. Com bola, ele se transforma hora num meia mais avançado, meia pelo lado direito, hora ele passa como ala, se for o caso. O Aguirre vem por dentro ou ele alterna com ele", explicou.
Na avaliação de Mansur, Eduardo Baptista tentou aumentar o poder ofensivo da equipe modificando as características dos jogadores disponíveis. A entrada de Bernabei no lugar de Mateus Bahia, por exemplo, representava a utilização de um atleta com características mais ofensivas. Posteriormente, Bruno Henrique substituiu Thiago Maia, em uma alteração que, segundo o comentarista, buscava principalmente renovar o fôlego do meio-campo.
Já a entrada de Calebe no lugar de Aguirre modificou a organização pelo lado direito. Com a alteração, Bruno Gomes passou a atuar definitivamente como lateral, enquanto o meia ganhou liberdade para participar mais da criação. Mansur lembrou que Calebe já desempenhou funções mais adiantadas, inclusive aberto pelo lado do campo quando defendia o Fortaleza, embora não tenha conseguido encontrar seu espaço na partida.
A discussão chegou à utilização de Bernabei, que permaneceu no banco de reservas apesar de ser considerado por Mansur uma das principais armas ofensivas do elenco. O comentarista reconheceu as deficiências defensivas do argentino, mas questionou por que o jogador não foi utilizado desde o início em uma função mais avançada.
"Eu já disse aqui no Troca de Passes várias vezes as deficiências defensivas que o Bernabei tem, e são evidentes. Agora, ele já foi utilizado várias vezes começando na segunda linha, já como um atacante. E eu vou dizer para você que eu acho que o Bernabei continua sendo o melhor atacante do Inter", afirmou.
Mansur ainda lembrou que o argentino está entre os artilheiros colorados na temporada e poderia oferecer mais recursos ofensivos à equipe. Para ele, a escolha por deixá-lo no banco merece questionamento, principalmente diante da necessidade de buscar o resultado em casa.
O comentarista também comparou as escalações utilizadas por Eduardo Baptista nas últimas três partidas. Depois da vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo, o treinador repetiu a equipe diante do Fluminense, quando sofreu uma derrota por 2 a 1. Naquele confronto, jogadores como Mercado, Villagra e Maripán tiveram situações diferentes em relação à partida anterior, enquanto o técnico voltou a ser questionado pela demora nas alterações.
Contra o Coritiba, houve novas mudanças na formação, com a saída de Ronaldo, a entrada de Vitinho, o retorno de Villagra e Mercado e a ausência de Maripán entre os titulares. Mansur entendeu que as alterações estavam relacionadas principalmente a uma escolha técnica e tática, e não necessariamente à necessidade de preservar fisicamente os atletas, considerando o intervalo de aproximadamente uma semana entre os jogos.
Para o comentarista, a escalação de Vitinho e Carbonero demonstrava a intenção de Eduardo Baptista de construir uma equipe mais ofensiva, capaz de controlar a partida dentro do Beira-Rio. Entretanto, a proposta não funcionou como esperado, e o Internacional continuou apresentando dificuldades para criar oportunidades claras.
Apesar das críticas, Mansur reconheceu a importância emocional da vitória depois da derrota para o Fluminense. O jornalista lembrou que o Colorado havia feito uma boa partida até aproximadamente os 35 minutos do primeiro tempo e também teve condições de ampliar a vantagem em contra-ataques na etapa final.
Além disso, destacou o episódio envolvendo a não expulsão de Renê, quando o Internacional ainda vencia por 1 a 0. Na jogada seguinte, Hércules marcou o gol que iniciou a virada dos cariocas, que acabaram vencendo aos 50 minutos do segundo tempo.
Na avaliação de Mansur, a maneira como aquela derrota aconteceu prejudicou a confiança dos jogadores, tornando ainda mais importante conseguir uma resposta imediata diante do Coritiba.
"Para você mobilizar novamente é difícil. Então essa vitória hoje, por mais que não tenha sido uma boa apresentação do Internacional, mas dá uma expectativa nova", concluiu.
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